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Diferença salarial pode chegar a R$ 1.000 entre monitor cívico-militar e professor; três escolas na Baixada adotam o formato

  • 5 de fev.
  • 3 min de leitura

Com três escolas na Baixada Santista, policiais militares da reserva que atuam como monitores em unidades cívico-militares podem receber, em um mês comum, valor superior ao salário de um professor da rede estadual. A diferença pode chegar a aproximadamente R$ 1.000, dependendo da quantidade de dias trabalhados. O tema ganhou repercussão nesta semana após um monitor, em Caçapava (SP), escrever incorretamente as palavras “descançar” e “continêcia” na lousa durante uma atividade.

A remuneração dos monitores é calculada por diária. Conforme o edital mais recente da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, publicado em junho de 2025, o valor pago é de R$ 301,70 por jornada de oito horas para policiais militares da reserva que desempenham a função.

Em um mês com 21 dias úteis, o total pode ultrapassar R$ 6.300. Considerando 21 diárias integrais, o montante chega a R$ 6.335,70, sem incluir o adicional de 10% destinado aos monitores-chefes, previsto no mesmo edital.

Esse valor supera o salário inicial de professores da rede estadual. Em 2026, o piso nacional do magistério para jornada de 40 horas semanais está em torno de R$ 5.100, enquanto o vencimento inicial da nova carreira docente paulista gira em aproximadamente R$ 5.300.

O modelo cívico-militar começou a ser implantado na segunda-feira (2) em três unidades da Baixada Santista e em outras 97 escolas no estado. Na região, as escolas são: Archimedes Bava, em Bertioga; Lincoln Feliciano, no bairro Vila Nova, em Cubatão; e Dagoberto Nogueira da Fonseca, no Suarão, em Itanhaém.

Diferenças no regime de contratação

Apesar da diferença salarial no curto prazo, os regimes de contratação são distintos. O monitor atua por meio de prestação de serviço temporária, sem vínculo de carreira. Já o professor ingressa por concurso público e, após o estágio probatório, adquire estabilidade.

O pagamento das diárias não inclui benefícios adicionais. De acordo com o edital, o valor não possui caráter indenizatório, está sujeito à incidência de Imposto de Renda e não garante auxílios como alimentação ou outras vantagens previstas para servidores efetivos.

Além disso, a função de monitor não é considerada atividade docente. Esses profissionais não exercem atribuições pedagógicas e, portanto, não estão enquadrados no magistério, o que exclui a aplicação do piso nacional dos professores ao cargo.

Assim, embora no curto prazo a soma das diárias possa resultar em rendimento mensal maior que o salário inicial de um professor, no longo prazo a situação tende a se inverter. A progressão na carreira, os adicionais por tempo de serviço e a estabilidade tornam a docência potencialmente mais vantajosa ao longo dos anos.

Caso em Caçapava

O assunto ganhou destaque após um monitor de uma escola cívico-militar em Caçapava escrever as palavras “descançar” e “continêcia” de forma incorreta na lousa durante a aula inaugural. Enquanto ele escrevia, outro monitor orientava os alunos sobre como prestar continência. Ambos são policiais militares reformados. A cena foi registrada pela TV Vanguarda.

As imagens mostram que, após ser alertado por uma mulher presente na sala, o monitor corrigiu inicialmente a palavra “descansar” e, em seguida, ajustou “continência”.

Em nota, o governo do Estado informou que os monitores passarão por avaliações semestrais para verificar adaptação e permanência nas unidades. A Secretaria da Educação afirmou ainda que os policiais recebem orientações sobre suas atribuições e destacou que todo o conteúdo pedagógico é elaborado e ministrado pelos professores da escola.

Segundo o governo paulista, a implantação do modelo ocorreu após consulta à comunidade escolar. Os militares atuam no apoio à rotina escolar, especialmente em atividades relacionadas à disciplina, civismo e organização, além de oferecerem uma disciplina no contraturno. A gestão pedagógica permanece sob responsabilidade da direção e do corpo docente.


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