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Correção do alinhamento de cada prédio inclinado em Santos pode chegar a R$ 22 milhões

27 de abr.
2 min de leitura

O custo para corrigir a inclinação dos prédios tortos em Santos, no litoral paulista, pode variar entre R$ 7 milhões e R$ 22 milhões por edifício, segundo estimativa da Acopi (Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados).

O problema tem origem no solo arenoso e nas fundações inadequadas utilizadas nas construções, principalmente durante o boom imobiliário da década de 1950 na Baixada Santista.

Atualmente, 319 edifícios na cidade apresentam algum grau de inclinação. Destes, 65 possuem casos mais severos, com inclinação de até 2,2 graus — sendo que 64 estão localizados na orla. Desses imóveis, 37 fazem parte da Acopi, que busca ampliar a adesão de condomínios.

Criada em 2024, a associação trabalha em parceria com a Prefeitura de Santos para viabilizar linhas de financiamento de longo prazo, tendo como principal objetivo recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que aguarda a formalização dos projetos.

De acordo com a presidente da Acopi, Eliana de Mello, embora existam soluções de engenharia para o problema, o maior desafio está na viabilidade financeira. Ela destaca que, apesar de os prédios inclinados já fazerem parte da paisagem da cidade, é necessário adotar medidas para corrigir a situação.

Os imóveis são monitorados pela prefeitura por meio do Pisa (Programa de Prédios Inclinados de Santos) e, segundo avaliações periódicas, não apresentam risco imediato. Ainda assim, os moradores enfrentam dificuldades no dia a dia.

Entre os principais problemas estão os altos custos de manutenção, especialmente dos elevadores, que não foram projetados para operar em estruturas inclinadas. Em um dos condomínios citados, o gasto mensal com elevadores chega a R$ 12 mil, elevando a taxa condominial para cerca de R$ 2 mil por mês.

Outras situações comuns incluem portas e gavetas que se abrem sozinhas e dificuldades no escoamento da água para os ralos. Desde 2024, reuniões vêm sendo realizadas com moradores para discutir soluções, com novos encontros já agendados.

Um dos poucos exemplos de correção bem-sucedida é o Condomínio Núncio Malzoni, no bairro Boqueirão, que passou por obras entre 2001 e 2011. Na época, o custo total foi de R$ 1,5 milhão, financiado pelos próprios moradores. A intervenção incluiu a instalação de estruturas externas com estacas profundas para estabilização.

Segundo especialistas, cada prédio exige uma solução específica, considerando fatores como altura, largura e número de pilares.

A correção da inclinação também impacta diretamente na valorização dos imóveis. No caso do Malzoni, apartamentos que antes sofreram desvalorização de até 50% hoje podem atingir valores próximos a R$ 1,6 milhão.

Embora haja tecnologias modernas para o reaprumo, como o uso de macacos hidráulicos — que permitem a execução das obras sem a saída dos moradores —, a alternativa de demolição e reconstrução também é considerada, mas depende da aprovação unânime dos condôminos, o que ainda não ocorreu.

O BNDES informou que aguarda a apresentação formal dos projetos por parte da Prefeitura de Santos, incluindo detalhes técnicos, orçamento, cronograma e questões legais.

O prefeito Rogério Santos afirmou que mantém diálogo com a associação e o banco, ressaltando que a questão é histórica e que a requalificação dos prédios pode trazer valorização para toda a cidade.

Paralelamente, o BNDES também prevê o financiamento de R$ 200 milhões para obras de adaptação às mudanças climáticas em Santos, incluindo ações contra o avanço do mar, alagamentos e proteção da orla.


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